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Cassino: A Maior praia do mundo – Trekking – 6.º dia

Cassino: A Maior praia do mundo – Trekking – 6.º dia

Acordamos cedo e renovados. Coisas simples como tomar um banho e dormir em uma cama surrada podem mudar os ânimos totalmente.
Eu e Rafa estávamos renovados, pois as bolhas estavam secas e tratadas, mas Júnior não havia melhorado, joelho é mais sério e precisa de repouso, coisa que era impossível ali.

Arrumamos nossas coisas e o alojamento também para entregarmos limpo, era o mínimo que podíamos fazer para agradecer à Marinha.
Depois de tudo arrumado fomos atrás do Sargento Rafael para agradecer e avisar que estávamos de saída, mas todos os outros alojamentos estavam fechados. Gritamos e batemos palmas em frente de cada casinha, mas não obtivemos resposta.
Tínhamos que começar nossa caminhada, não podíamos mais esperar, então escrevi um bilhete agradecendo a estadia e deixei onde ele pudesse achar, fechamos a porta do alojamento e partimos.

Deixando o Farol pra trás - Cassino

Deixando o Farol pra trás

Nesse dia a ideia era fazer entre 30 e 32 km e senti que seria mais fácil que os outros dias, eu estava melhor e fiquei mais falante e alegre. Pude pensar um pouco na vida, pois nos dias anteriores só pensava na dor e contava cada metro na esperança de fazer a quilometragem diária o mais rápido possível.
Começamos a reparar que depois do Albardão os arroios estavam secos e isso não era nada bom. Tentei não pensar muito sobre a água, pois poderia ser algo pontual e mais a frente voltaríamos a ter lindos arroios cheios e largos como antes.

Perto das 14:00h paramos para almoçar e mais uma vez comemos rápido e zarpamos, nada de descanso, precisávamos como sempre, bater a meta diária.
E mais uma vez nossa rotina de solidão foi quebrada, pois um jeep apareceu e parou para nos perguntar o que raios estávamos fazendo naquele lugar a pé, eles eram do Carona Turismo de aventura. Dois homens e duas mulheres e eles estavam curiosos em saber um pouco mais sobre nossa aventura, foi divertido conversar um pouco com eles.

Às 18:00h e exatos 30 km nossa água acabou e arroio que era bom nada. Rafael correu até as dunas para ver se via algo, mas voltou desanimado.
Só existia uma opção, e era a lagoa que pelo GPS estava a 4 km para dentro das dunas, ou seja, alguém teria que andar 8 km extras e voltar com água.

Quando estávamos nos preparando para colocar nosso plano em ação uma caminhonete surgiu de trás das dunas e parou do nosso lado. Era um morador local (existem dois moradores por ali e eles ficam bem escondidos) chamado Ricardo ou pastor como também é conhecido.
Sabíamos quem era ele, pois havíamos assistido muitas vezes o documentário do Cassino. Por sorte ele nos convidou para pernoitar em sua casa e assim estávamos salvos da falta de água.

Caminhonete do Ricardo - Cassino

Caminhonete do Ricardo com seus cachorrinhos na caçamba

Entramos os três na caminhonete e olhamos para o painel do carro e demos de cara com uma pistola. Ok, vamos pensar positivo, ele mora no meio do nada, precisa ter uma pistola né?!?!
Entramos de carro pelas dunas e ainda andamos um pouco até avistar uma casa. Paramos e descemos desconfiados ainda por causa da arma.
Nosso anfitrião nos mostrou a casa, que era linda e bem cuidada e depois nos mostrou seu quintal. Por fim, ele nos levou até sua garagem, que era metodicamente arrumada, confesso que fiquei assustada, pois lembrava as garagens dos filmes de serial killer que eu já havia assistido, imaginem todas as ferramentas penduradas em ordem de tamanho, serras, facas, motosserras, martelos, enfim, minha imaginação foi longe.

Depois de conhecer tudo fomos convidados a entrar. Ricardo nos ofereceu uma cebola que estava em uma compota e era simplesmente divina.
Depois foi nos oferecido um banho quente e não me fiz de rogada, peguei minhas coisas e fui para o banheiro. Assim como a marinha, Ricardo também possuía um gerador e ali no meio do nada ele tinha uma linda casa e energia elétrica.

Enquanto Ricardo nos preparava o jantar, resolvi olhar a casa com mais cuidado e vi penduradas em uma parede uma besta e algumas armas, mas desviei meus pensamentos, tudo fazia parte de uma decoração, era isso, tinha que ser isso.
Para nos deixar mais a vontade ele ligou o som e para minha surpresa ele curtia música eletrônica. Aumentou o volume e nos ofereceu uma cerveja gelada, me senti em uma rave, ali no meio do nada.

Casa do Ricardo -Cassino

Cerveja gelada, música e cebola na compota para aguardar o jantar

Jantar pronto, comemos e bebemos e estava tudo delicioso. Ricardo não estava economizando no agrado, após o jantar ainda nos preparou um chimarrão e ficamos à mesa conversando.
Conversa vai e conversa vem ele resolveu nos mostrar a “Lourdinha” sua arma favorita. Fiquei tensa e olhei para meus amigos, eles estavam tensos também.
Ele abriu, carregou a arma e atirou no chão de madeira. JESUS MARIA JOSÉ, nessa hora meu coração foi parar na boca. Era o fim, eu iria morrer na maior praia do mundo. Elogiamos a arma e pedimos que a guardasse, pois estávamos ficando nervosos com aquilo.

Pensando que a coisa não podia ficar pior, a conversa começou a ficar estranha, não sei como fomos parar em alienígenas, espíritos, magia e fugitivos de cadeias que se escondem no Cassino, ou seja, a praia deserta era rota de fuga. Tentando não focar nos assuntos comecei a olhar em volta e reparei que tudo era metodicamente arrumado na casa, ok eu estava paranoica.
À 00:00 h pedimos licença para nos recolhermos pois no dia seguinte precisaríamos voltar a andar cedo, se é que existiria dia seguinte.
Ele nos mostrou nosso quarto e tratamos de travar bem as portas. Estávamos tão cansados que capotamos e descobri que o cansaço vence a fome e o medo também.

E assim foi nosso dia e se quiser saber como termina o capítulo da casa do Ricardo (pastor) leia também o próximo dia de trekking que publicarei na próxima semana.


Leia também:

Cassino, o início: clique aqui.
Primeiro dia de trekking: clique aqui.
Segundo dia de trekking: clique aqui.
Terceiro dia de trekking: clique aqui.
Quarto dia de trekking: clique aqui.
Quinto dia de Trekking: clique aqui.
Sexto dia de trekking: clique aqui.
Sétimo dia de trekking: clique aqui.
Oitavo dia de trekking: clique aqui.

É importante lembrar: Se você decidiu fazer uma viagem de aventura, principalmente para fora do país, a recomendação é que você faça um seguro viagem com cobertura para esportes outdoor. Clique aqui para saber mais.
  • NOTA: Se quiser pernoitar no Farol Abardão e no Farol do Chuí uma solicitação deverá ser enviada à Marinha:

    Telefone – 53 – 3233 6322 Sargento Bittencourt
    email: bittencourt@ssn-5.mar.mil.br

  • Dicas para o início do Trekking da Praia do Cassino

    • Levar protetor solar;
    • Já iniciar com 3 litros de água e torcer para ter água nos arroios;
    • Levar roupa de frio

    Mapa da Trip

    Trilha

    Nível: Extremo
    Data da trilha: 18/04/2015
    Total percorrido: 235 km

    Arquivos

    Tracklog no Wikiloc: Praia do Cassino

    Custos

    Ida

    • São Paulo x Porto Alegre R$ 178,00 – TAM
    • Porto Alegre x Rio Grande R$ 63,00 – Planalto Transportes
    • Rio Grande x Cassino – R$4,45- Circular – P09 Cassino – Noiva do Mar
    • Taxi: R$ 30,00

    Retorno

    • Chuí x Pelotas – R$ 47,35 – Viação Expresso Embaixador
    • Pelotas x Porto Alegre – R$ 46,75 – Viação Expresso Embaixador
    • Porto Alegre x São Paulo – R$ 178,00 – TAM

    Pernoite

    • Camping do Sindicato dos Rodoviários no Cassino – R$ 40,00 – (53) 3236-6013

    Sobre Gisely Bohrer

    Gisely Bohrer
    Mineira de nascimento, Vila-Velhense (canela-verde) de coração, analista de importação, estudante de Turismo, blogueira e viciada em esportes. Trekking, corrida e musculação ocupam boa parte do seu tempo livre. Começou no trekking através do Clube de Desbravadores e desde então é sua paixão. Além dos esportes, ama viajar e ler um bom livro. Vive tudo intensamente para esta vida ser suficiente.

    10 comentários

    1. Muito bons os relatos! Ansioso para ler as próximas postagens e feliz que sobreviveram ao Ricardo! Sério que tensão que deve ter sido.
      Parabéns pela coragem de encarar essa expedição!

      • Gisely Bohrer

        Oi Igor rsrsrs o Ricardo é uma figura do Cassino. A explicação que ele deu para morar no meio do nada é: ” Um dia eu disse: para o mundo que eu quero descer! E aqui estou e aqui não é Brasil e nem Uruguai, é a República do Pastor”.

        Ele é uma pessoa ótima que nos recebeu e nos assustou tb rsrsrs, mas acho que a ideia era só nos assustar e rir um pouco… confesso que ele conseguiu.

        Obrigada por acompanhar o blog 🙂

    2. Muito legal esse trekking, curtindo e acompanhando o relato =D

    3. Muito legal seu relato!! Estou acompanhando! Olha acho que daria um livro!!

      • Gisely Bohrer

        Oi Edson 🙂

        Obrigada por acompanhar. O Cassino foi uma experiência maravilhosa e inspiradora, sinto até saudades rsrsrsrs

        Logo postarei mais um capítulo.

    4. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, ri demais com essa casa do Pastor hahaha, imagino a tensão na hora bicho “já era…”, rs.
      Esperando pelo próximo capítulo.

    5. Muito bom Gi, aguardando ansiosamente a continuação!
      Já fui algumas vezes no Cassino (sou de Porto alegre) e realmente a imensidão assusta um pouco, ainda mais com figuras igual ao ricardo rsrsr

      Abraços!

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