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Cassino: A Maior praia do mundo – Trekking – 5.º dia

Cassino: A Maior praia do mundo – Trekking – 5.º dia

Nosso quinto dia de trekking deveria ser suave, porque pelas contas que eu havia feito, levando em consideração a quilometragem que eu havia consultado em alguns sites, entre os faróis Verga e Albardão seriam “apenas” 21 km. Com isso acordamos mais tarde e começamos a caminhar às 08:45h.

Nesse dia estávamos com muitas dores e nosso estoque de dorflex já havia acabado. Minha mão estava com calos por segurar um cajado de madeira por mais de 100 km, eu não precisava de mais esse incomodo e tratei de joga-lo fora.
O sol estava castigando mas em compensação a praia estava cada vez mais bonita. Quanto mais andávamos mais bonita era a paisagem, era o dia perfeito, ou quase perfeito.

Estávamos andando muito, pois a vontade de fazer os 21 km até o almoço nos consumia. Paramos o mínimo possível para descansar e aos 19 km paramos para almoçar, ou cairíamos de fome.
Comecei a achar estranho, tínhamos andado 19 km e não visualizamos o Albardão, mas vai saber né. Terminamos de almoçar e levantamos, nada de descanso, o negócio era chegar ao farol habitado e tomar um banho maravilhoso, afinal eu estava há 5 dias caminhando no sol, com vento e areia e sem me banhar.

Aos 20 km avistamos o farol e ele parecia estar bem distante. Nesse mesmo instante o carro do ICMBIO apareceu novamente e parou para nos dar um “oi”. Não me fiz de rogada e soltei a pergunta: Faltam quantos quilômetros para o Albardão?
A resposta não me deixou nada animada, faltavam 10 km. Tudo bem que já estávamos nos acostumando a fazer mais de 30 km, mas esse dia eu estava preparada psicologicamente para 21 km.

Cassino

Felicidade ao avistar o farol Albardão

Ficamos meio desanimados, mas sabíamos que precisávamos andar, não existia outra opção. Andar por cinco dias de oito da manhã às oito da noite fez com que nossos corpos estivessem 100% doloridos. Quando parávamos para descansar e os músculos esfriavam era horrível. Quando voltávamos a caminhar, parecíamos zumbis, todos tortos, puxando a perna e isso durava até que os músculos voltassem a esquentar. Ainda não entendo como o ICMBIO não nos atropelou, porque se eu visse três pessoas caminhando daquela forma, eu teria passado por cima com o carro rsrsrs eu pensaria que teriam saído da série “the walking dead”.

Cassino

Aos 30 km chegamos ao portão do farol. Lindo e imponente, era ele, o Albardão, o farol que fica no meio do nada. Como havia uma placa dizendo que a entrada era proibida nós começamos a bater palma e gritar para que alguém nos escutasse.
Nós havíamos conseguido uma autorização da Marinha para pernoitar ali, mas mesmo assim ficamos no portão aguardando. Avistamos um homem saindo do alojamento e vindo em nossa direção, era o Sargento Rafael, uma pessoa muito simpática e falante que não hesitou em dizer o que estava pensando:

_ Eu estava esperando por três brutamontes e me aparece aqui dois franzinos e uma menina!?!?

Depois do comentário sincero (feito em tom de brincadeira) ele nos levou até nosso alojamento. Era um sonho. Uma casinha com banheiro, camas, sofá, micro-ondas, geladeira, ou seja, teríamos uma noite perfeita. Às 19:00h o gerador foi ligado e foi mágico tomar um banho quente. Sentia a água passando pelo meu corpo machucado, era um misto de dor e prazer. Meu quadril tinha quatro pontos que estavam em carne viva e não foi culpa da mochila e sim da areia que conseguia entrar por debaixo da camiseta e colava no corpo e a mochila esfregava a areia em mim durante a caminhada, com força, lógico, porque ela estava pesada.

Depois do banho, eu e Rafa resolvemos conferir nossas bolhas. Não chegamos a conclusão de quem tinha mais e então decidimos furá-las com agulha para aliviar a dor. Sei que é nojento, mas na hora parecia divertido, o ato de estourar as bolhas virou uma competição, a ideia era ver quem mandava o líquido da bolha mais longe, juro que era engraçado.
Depois de estourá-las precisávamos fazer os curativos para colocar a bota no dia seguinte, mas os Band-Aid’s e os esparadrapos haviam acabado e o Rafa teve a ideia de colocarmos silver tape com papel, o que na hora achei absurdo, mas não tínhamos outra opção e foi o que fizemos.

Depois que todos estavam de banho tomado eu fui estourar pipoca, sim eu levei pipoca e não pensem que sou louca. Na verdade a Marinha havia me informado que no alojamento haveria um micro-ondas e então, limpos, sentamos no sofá, saboreamos aquela deliciosa pipoca sabor manteiga de cinema.

Lavamos algumas meias no tanque, tiramos tudo das mochilas e batemos para retirar um pouco de areia, contabilizamos a nossa comida, tínhamos que aproveitar o alojamento para realizar essas tarefas que seriam impossíveis nos outros dias.
Em um determinado momento sentamos e relaxamos um pouco e aí as dores começaram a falar mais alto. Toda aquela mordomia fez uma pergunta vir a tona, porque não ficar mais um dia ali? Sentadinho no meu ombro esquerdo um capetinha pedia para que ficássemos para nos recuperar e no direito o anjinho sussurrava que nos arrependeríamos depois, pois talvez a comida não fosse suficiente.

Fizemos uma reunião e decidimos que não ficaríamos parados ali. Já havíamos andado por 140 km e quem anda 140 anda 235 km, né?
Fomos dormir cedo em beliches que mais pareciam camas dos deuses. Aquilo era muito bom, quase surreal naquele momento. Depois que eu deitei não conseguia mais me virar para lado nenhum, era impossível, era uma dor quase insuportável e sem me mexer dormi o sono dos justos.


Leia também:

Cassino, o início: clique aqui.
Primeiro dia de trekking: clique aqui.
Segundo dia de trekking: clique aqui.
Terceiro dia de trekking: clique aqui.
Quarto dia de trekking: clique aqui.
Quinto dia de Trekking: clique aqui.
Sexto dia de trekking: clique aqui.
Sétimo dia de trekking: clique aqui.
Oitavo dia de trekking: clique aqui.

É importante lembrar: Se você decidiu fazer uma viagem de aventura, principalmente para fora do país, a recomendação é que você faça um seguro viagem com cobertura para esportes outdoor. Clique aqui para saber mais.
  • NOTA: Se quiser pernoitar no Farol Abardão e no Farol do Chuí uma solicitação deverá ser enviada à Marinha:

    Telefone – 53 – 3233 6322 Sargento Bittencourt
    email: bittencourt@ssn-5.mar.mil.br

  • Dicas para o início do Trekking da Praia do Cassino

    • Levar protetor solar;
    • Já iniciar com 3 litros de água e torcer para ter água nos arroios;
    • Levar roupa de frio

    Mapa da Trip

    Trilha

    Nível: Extremo
    Data da trilha: 18/04/2015
    Total percorrido: 235 km

    Arquivos

    Tracklog no Wikiloc: Praia do Cassino

    Custos

    Ida

    • São Paulo x Porto Alegre R$ 178,00 – TAM
    • Porto Alegre x Rio Grande R$ 63,00 – Planalto Transportes
    • Rio Grande x Cassino – R$4,45- Circular – P09 Cassino – Noiva do Mar
    • Taxi: R$ 30,00

    Retorno

    • Chuí x Pelotas – R$ 47,35 – Viação Expresso Embaixador
    • Pelotas x Porto Alegre – R$ 46,75 – Viação Expresso Embaixador
    • Porto Alegre x São Paulo – R$ 178,00 – TAM

    Pernoite

    • Camping do Sindicato dos Rodoviários no Cassino – R$ 40,00 – (53) 3236-6013

    Sobre Gisely Bohrer

    Gisely Bohrer
    Mineira de nascimento, Vila-Velhense (canela-verde) de coração, analista de importação, estudante de Turismo, blogueira e viciada em esportes. Trekking, corrida e musculação ocupam boa parte do seu tempo livre. Começou no trekking através do Clube de Desbravadores e desde então é sua paixão. Além dos esportes, ama viajar e ler um bom livro. Vive tudo intensamente para esta vida ser suficiente.

    4 comentários

    1. Que massa ! kkkkk
      O que você levou de equipamento, comida e medicamentos ?
      Como vc conseguiu a liberação de pernoitar no farol Albardão ?
      Valew Beijos !

      • Gisely Bohrer

        Oi Marcos. Levamos de equipamentos o básico e roupas de frio. Barraca, saco de dormir , isolante, roupas de frio (todas as camadas, segunda pele, fleece e anorak), medicamentos para dor muscular, antialérgico, termômetro, anti-histamínico, anti-inflamatório, esparadrapo, gaze, etc e de comida levamos alimentação pronta (a marca é essa mesma, alimentação pronta), bisnaguinha, polenguinho, barras de proteína, carbo gel, biscoitos etc.
        A liberação pode ser solicitada pelo contato:
        53 – 3233 6322 Sargento Bittencourt
        email: bittencourt@ssn-5.mar.mil.br
        Qq dúvida pode perguntar 🙂

    2. Gisely, muito boa tarde!!!
      Por acaso descobri seu blog (me desculpe pela minha ignorância virtual) e lendo seus relatos da travessia da praia do cassino revivi uma aventura muito cansativa e muito enriquecedora espiritualmente. Em abril de 2014 sai de bicicleta de Curitiba – PR e fui até Montevidéo – UY e neste percurso atravessei a praia do Cassino pedalando, foram 5 dias estenuantes (calculávamos 3 dias de travessia), mas como já mencionei enriquecedor em todos os sentidos.

      Bem, deixo por aqui um salve, pensamentos positivos e a frase de uma pixachão que vi em Punta del Diablo – UY

      ” Silencio, Por favor. Escuchemos el mar!!!”

      Com este espirito de contemplação que te desejo uma ótima expedição Andina!!!

      atte.,

      Ricardo Gomes

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